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CIDADE

Guarulhos é uma das cidades do Brasil mais afetadas pelo novo tarifaço dos EUA

Grupo de máquinas e equipamentos mecânicos, taxado em 37,5% por Trump, é parte importante da indústria guarulhense

Redação Café com Gaza·
Imagem ilustrativaFoto: Reprodução / Estadão

Um levantamento exclusivo divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo neste domingo (26) indicou os desdobramentos locais das barreiras comerciais aplicadas pela administração do presidente norte-americano Donald Trump. Com fortes laços industriais e vocação voltada ao comércio exterior, Guarulhos aparece em destaque no panorama nacional ao ocupar a nona posição entre os municípios brasileiros mais prejudicados pelo novo tarifaço.

Sobre as tarifas

As recentes sobretaxas alfandegárias impostas pela Casa Branca estabelecem um acréscimo de 37,5% sobre uma extensa lista de mercadorias.

A taxação foi implementada em dois momentos consecutivos: a primeira alíquota, de 25%, entrou em vigor na última quarta-feira (22), fundamentada em acusações dos Estados Unidos de supostas práticas comerciais desleais do Brasil, incluindo críticas ao uso do sistema Pix. A segunda taxação, aplicada na quinta-feira (23) e em vigor desde a sexta-feira (24), adicionou 12,5% sob a justificativa de combater a importação de bens fabricados com trabalho forçado.

Metodologia do estudo

O estudo que revelou o ranking das localidades mais expostas foi estruturado a partir do cruzamento de dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) com levantamentos da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil). Para aferir os impactos regionais de forma precisa, os pesquisadores avaliaram os dez agrupamentos de produtos nacionais mais atingidos pela tributação dupla, tomando como parâmetro o volume financeiro exportado em 2024.

Impactos em Guarulhos

Segundo a pesquisa do Estadão, o principal foco de perda de Guarulhos está no grupo de máquinas e equipamentos mecânicos. Em 2024, as exportações desse segmento específico movimentaram um montante expressivo de cerca de US$ 120 milhões (R$ 610 milhões). Com as restrições no mercado norte-americano, toda essa cadeia produtiva local, responsável por gerar centenas de postos de trabalho diretos e indiretos, vê sua competitividade ameaçada.

Ranking nacional

Na configuração nacional, os cinco municípios que lideram o ranking dos mais prejudicados são Piracicaba (SP), São Paulo (SP), Joinville (SC), Serra (ES) e Petrópolis (RJ). No recorte do estado de São Paulo, Guarulhos aparece como a quarta localidade mais penalizada, ficando atrás apenas da vizinha capital, da líder Piracicaba e do município de Suzano.

Tabela completa

Os 10 municípios brasileiros que registram os maiores valores sob risco em decorrência das tarifas norte-americanas:

1. Piracicaba (SP) — US$ 1.192.788.730 2. São Paulo (SP) — US$ 239.421.839 3. Joinville (SC) — US$ 229.964.958 4. Serra (ES) — US$ 216.172.789 5. Petrópolis (RJ) — US$ 203.770.658 6. Suzano (SP) — US$ 191.958.199 7. Campo Largo (PR) — US$ 184.115.555 8. Cachoeiro de Itapemirim (ES) — US$ 178.682.978 9. Guarulhos (SP) — US$ 176.810.709 10. Caçador (SC) — US$ 176.009.359

Polo produtivo

Guarulhos é um polo logístico e produtivo dos mais relevantes no Brasil, mantendo parcerias frequentes com os Estados Unidos. No município, operam fornecedores e fabricantes de autopeças, componentes mecânicos, químicos leves, embalagens e itens alimentícios processados. No entanto, desde 2025 as empresas locais enfrentam momentos de incerteza, quando retaliações anteriores na casa dos 50% começaram a desestabilizar cadeias produtivas regionais. O novo pacote de 37,5% volta a encarecer insumos manufaturados e ameaça a competitividade global das fábricas instaladas no município e em vizinhas como Arujá e Mairiporã.

Posição do CIESP

O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) manifestou profunda indignação contra as medidas aplicadas por Washington, classificando a justificativa trabalhista como totalmente improcedente, já que o Brasil é signatário de 66 convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O presidente da entidade, Rafael Cervone, destacou que a imposição possui claro viés político e prejudica a própria população dos Estados Unidos, que passará a pagar mais caro por artigos brasileiros. O CIESP alerta que a indústria paulista pode perder espaço no mercado global para concorrentes de outros países que continuam isentos de barreiras adicionais. Para conter novos danos, a associação busca intensificar ações diplomáticas baseadas em dados técnicos e econômicos, articulando-se com entidades de classe dos Estados Unidos e defendendo a redução do Custo Brasil para mitigar a perda de competitividade das companhias nacionais.

Itens como café, carnes e suco de laranja continuam fora da rodada de punições, mas a indústria de bens de capital e de produtos processados sediada em Guarulhos precisará de resiliência e constante busca por novos mercados para atravessar mais essa barreira comercial.

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